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Fabricantes de genéricos buscam novos mercados
Fonte: Gazeta Mercantil (03/04/2007) Iolanda Nascimento Depois de ganhar a batalha para entrar no mercado brasileiro de hormônios e contraceptivos, o que ocorreu após dois anos de negociações, os fabricantes de genéricos instalados no País começam agora a travar mais uma guerra. A Pró Genéricos, entidade que reúne as empresas do setor, começa a articular uma ação para que a indústria possa disputar novos mercados como o de fitoterápicos, vitaminas e sais minerais e, particularmente, o de medicamentos isentos de prescrição médica, os chamados OTC ou MIP, que contenham mais de uma substância ativa - por exemplo Neosaldina e Coristina. A discussão está sendo iniciada dentro da Pró Genéricos para a posterior criação de uma agenda, a ser apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que regulamenta o setor e a quem cabe a elaboração das regras para que os fabricantes de genéricos possam entrar nesses mercados, explicou o vice-presidente da entidade, Odnir Finotti. "Falta apenas metodologia. Tudo isso demanda regulamentações específicas e os trâmites junto à Anvisa devem levar também uns dois anos, assim como em anticoncepcionais." Hoje, as companhias de genéricos já produzem alguns tipos de MIP, de longe o mercado mais importante em termos de faturamento, entre os nichos visados. Os MIP respondem por quase 30% das vendas de medicamentos no País, de mais de R$ 23 bilhões no total em 2006. Mas a fatia dos genéricos no segmento ainda é pequena. Conforme dados do IMS Health, que audita o setor farmacêutico no varejo, entre março de 2006 e fevereiro de 2007, os remédios de venda livre movimentaram R$ 6,16 bilhões no Brasil, sendo que R$ 262,85 milhões foram de genéricos MIP, o que representou 4,26% de participação. Em unidades, a fatia dos genéricos chegou a 7,38% do total de caixas de OTC comercializadas entre março de 2006 e fevereiro de 2007, de 509,47 milhões. Se comparado em termos percentuais ao cenário geral, em que os genéricos detêm em torno de 10% do mercado farmacêutico brasileiro, com mais de R$ 2,29 bilhões em vendas no ano passado cheio, há ainda um grande potencial a ser explorado na área de MIP. Finotti disse que os genéricos ainda não estão em determinados nichos por causa da maneira como se deu a sua introdução no Brasil. "O mercado de genéricos é muito novo. Foi criado em 1999 e começou a produzir em 2000. Primeiro, decidiram o que se poderia desenvolver no início e a ampliação para outras áreas faz parte da evolução do modelo." Do ponto de vista técnico, disse, não haveria impedimento. Os genéricos são cópias fiéis aos remédios de referência, isto é, têm bioequivalência e bastariam as definições específicas para as novas categorias, disse Finotti, lembrando que 80% das doenças mais comuns têm tratamentos com genéricos. Em classes terapêuticas como a de diabetes e hipertensão, por exemplo, existem genéricos de remédios com mais de uma substância ativa. O executivo ressaltou também que a expansão é de interesse da saúde pública. A diretora de relações externas do Grupo EMS-Sigma Pharma, Telma Salles, endossa a opinião. "Queremos ampliar o mercado de genéricos não apenas para crescer este mercado, mas para expandir o acesso da população aos medicamentos. Os genéricos são em média 40% mais baratos." O grupo é um dos principais do mercado brasileiro de genéricos, ao lado da Medley Indústria Farmacêutica, com a qual se reveza na liderança. As empresas, que já produzem alguns tipos de MIP, avaliam que em termos fabris não haveria problemas para concorrer em outros nichos do segmento de venda livre. "Do ponto de vista industrial, estamos prontos", disse Telma. Ana Carolina Lacchia, gerente de marketing de genéricos da Medley, afirmou que todas as categorias em que os genéricos já estão são bem exploradas e que hoje o crescimento se dá por conta de ganho de "market share". "Os produtos essenciais para doenças crônicas já foram lançados. É preciso estender o mercado."Como o assunto começa a ser discutido, não há ainda uma expectativa concreta dos laboratórios sobre aumento das vendas em decorrência da possível entrada em novos nichos. A Medley, que no ano passado reformulou todo o visual de sua linha de OTC genérico, viu seu faturamento no segmento saltar 77% por conta da reformulação, a R$ 99,36 milhões em 2006. Em unidades, o crescimento foi de 95%, atingindo 14,18 milhões, ou 25% do total das vendas unitárias de genéricos da empresa, segundo Ana Carolina. Posição contrária O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Nelson Mussolini, disse que a entidade é contra a expansão do segmento no mercado de MIP devido à própria essência dos genéricos. Mussolini observou que eles foram criados para instalar a concorrência onde ela não existia, no mercado de produtos que acabam de perder patentes. "A essência do mercado de OTC é também justamente a de concorrência. Dificilmente se encontra um MIP com patente. Eles são antigos e muito testados, por isso, são livres de receita e do controle de preços. Nesse mercado, as empresas investem pesadamente em publicidade para ganhar espaço e, se isso ocorrer, vão repensar esses investimentos." |
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